sexta-feira, 11 de junho de 2010

Tudo novo, de novo...

Já fazem alguns dias desde a minha última postagem, mas sou brasileiro e não desisto nunca. É que há uma semana me mudei e até ontem estava sem internet em meu novo endereço. Porém ainda em tempo de abrir a Copa do Mundo de 2010, recordo-me da última mudança que fiz em 1998, ano da fatídica Copa da França, quando aquela raça de biquinho baitola passou a mão no caneco que com certeza seria brasileiro. Tudo em casa: o Brasil entrega a Copa da França pra França, pra não ficar feio pros gringos que nunca tinham ganhando zorra nenhuma, e em 2002 a taça fica com o Brasil, coroando Ronaldo como o melhor do mundo mais uma vez, pra apagar o vexame da copa anterior.

Então, um mês antes da copa de 98, mudei para o meu antigo endereço no bairro do Imbuí. Tinha 13 anos e estava empolgado pra conhecer novos amigos. O novo condomínio tinha uma quadra de medida oficial, era ano de Copa do Mundo, a rua estava toda pintada de verde e amarelo, bandeiras pra tudo quanto é lado, o Brasil ia ser penta! Essas coisas mexem com um moleque que adora futebol...

Quando a Copa começou tudo era motivo pra farra e como já era período de férias juninas, eu jogava bola todos os dias e já conhecia quase todo mundo da minha rua. A galera se juntava pra ver os jogos e depois era baba até de noite. Bons tempos aqueles!
Jogo a jogo crescia a certeza de que aquela copa era nossa. O Fenômeno brocava tudo e todos (lá ele, como ainda faz até hoje com alguns e algumas). Lembro que a única partida que realmente deu trabalho foi contra a Holanda, mas “sai que é sua, Taffarel!!!” garantiu nos pênaltis a classificação da nossa seleção.

Quando chegou o grande dia da final, fui assistir ao jogo na casa de um primo do meu pai, no Imbuí mesmo, onde se reuniram vários amigos. Churrascão e Galvão nas alturas (pois é, a TV não era minha...). Aí começou a presepada e, desde o “bem amigos da Rede Globo” até o muxoxo “A França é campeã mundial de 98”, a história vocês conhecem bem.
Dava raiva ver aquela cambada de sacana entregando o jogo, inclusive Seu Dunga! A única coisa que eu gostei de ver foi Edmundo, o então “Animal”, entrar em campo e xingar todo mundo, puxando os jogadores brasileiros pela camisa e gritando: “Vamo jogar p****!!!”. Mas o trágico fim que se desenhava desde o início da partida, então vinha à tona. Deixei os coroas lá comendo água e parti a mil, pois não agüentava mais ver carne em minha frente e nem ouvir aquela lenga-lenga do baba-ovo Galvão Bueno.

Já comentei neste blog que a Copa da África não é do Brasil. Coincidência ou não, me mudei novamente em ano de copa, nas vésperas do torneio, e como bom torcedor do Meu Bahêa, bem sei que essas coisas não dão sorte... Então, tudo em casa: o Brasil, pentacampeão mundial, pra não ficar feio pras outras seleções, passa em branco a copa de 2010, e deixa o hexa pra 2014 aqui no Brasil, para então apagar o vexame da Copa de 50. E aí todo mundo fica feliz e ninguém lembra mais da miséria que assola a África e o Brasil que muitos insistem em esquecer depois que acaba o Jornal Nacional...

3 comentários:

Marcela Moura França disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Marcela Moura França disse...

Oh, que horror!!! Assim, depois de tantas decepções, me desempolguei com COPA. Vou aproveitar esse período pra estudar e muito!!! Mas acho e, de verdade, desejo que ganhe um time africano. Roubo por roubo, que os 'donos da Copa" assumam um espírito Robin Hood dessa vez.
Aproveitando para sugerir pra quem já tá de saco cheio de ver a Globo mostrando girafinha e leaozinho na África do Sul que assista essa reportagem da BBC BRASIL: http://www.youtube.com/watch?v=X0L6OnC-Z0k

Bruno Dias disse...

Muito bom, Cela!

Com certeza Willian Bonner e Fátima Bernardes não tocam no assunto nesse nível...
Deturpam a importância do esporte, manipulam as pessoas em prol dos interesses políticos e econôminos, festejam a miséria dos que nada tem a ver com os poderosos encouraçados, secos de amor...