Ai gente, me empolguei com os elogios que recebi tanto nos comentários como através de e-mails. Ou seja, me dê dinheiro, mas não me dê ousadia, porque de agora em diante, como já dizia nosso esclerosadinho Zagallo, “VOCÊS VÃO TER QUE ME ENGOLIR”! Vou aproveitar a sugestão de Tia Cristina (via e-mail) e acrescentar que na Copa de 94 eu morava na Rua Francisco Ferraro, Nazaré, na mesma casa em que meu pai passou toda a adolescência. Lá também morou Bebeto, parceiro de baba de Tio Fernando e de meu pai. Mas para mim o dado mais relevante é que foi nessa rua que meus pais se conheceram e desse amor surgiram duas beldades (me achei agora, não foi não?).Antes de falar da dramático-hilária Copa de 98, abrirei um parêntese para relatar algo que me ocorreu recentemente por aquelas bandas...
Então...dia desses fui na OAB (aquele prédio bonito perto do Center Lapa) levar minhas certidões para dar entrada na carteira. Paguei sofridos 3 reais para deixar meu carro num lugar relativamente seguro. Entrei no prédio cheia de terninho, olhei pra moça do balcão (que não é da Insinuante – piadinha ridícula, rs), dei um sorrisinho e disse: pois é, esqueci as certidões. Bom, atravessar a Joana Angélica, passar pelo Fórum e descer a ladeira até o NAJ do Shopping Baixa dos Sapateiros não tira pedaço de ninguém, né? Tá bom, assumo que foi mais pela canguinhagem de não querer ir de carro e ter que pagar outro estacionamento. O mais “legal” foi que justamente nesse dia estava ocorrendo uma manifestação justamente na Joana Angélica, justamente no horário que eu passaria por ali. Atravessei um mar de operários da construção civil protestando contra a propositura de uma Ação Civil Pública pelos Ministérios Públicos Estadual e Federal, com pedido de liminar para suspender as licenças ambientais de umas construções. Para ganhar a simpatia do pessoal, fui andando e lendo os folhetos que eles distribuíram, sempre balançando a cabeça, concordando com tudo que estava escrito.
Essa volta ao mundo foi para dizer que a Joana Angélica foi um lugar muito marcante na minha infância. Minha avó Teresinha morava ali perto e quando minha mãe e eu íamos de taxi para lá, o motorista perguntava o destino e eu, na minha fértil imaginação (acho que por causa da musiquinha “Vou de taxi/ cê sabe/ tava morrendo de saudade...”), sempre ouvia minha mãe responder “Vamos para o show da Angélica” (que maluquice né?). E foi ali pertinho que pela primeira e única vez fui na Fonte Nova assistir (agora, sim) o show da Xuxa! Só consegui ver umas coisinhas coloridas pulando no campo – deviam ser as paquitas.
Enfim, a Copa de 98... época boa, viu? O time era o melhor possível: Luísa, Nanda, Ninha, Hugo, Mônica e eu. Pintávamos a cara com tinta guache e dávamos a volta Olímpica pelo quarteirão, gritando “É campeão !!! É campeão!!!”.
Antes da final já havíamos preparado tudo para comemorar a iminente vitória. Fizemos cartazes bem coloridinhos fru-frus (Hugo não participou dessa etapa – livrei você Nico!), compramos bandeiras, apitos e nos concentramos.
Uma hora antes do jogo, Zagallo divulga a lista de escalados. Mas cadê Ronaldo??? Seria uma estratégia inédita para surpreender a França? No lugar dele Edmundo. Ninguém entendeu nada. Galvão ficou histérico. A minha intuição feminina acendeu a luz vermelha – sinal de alerta. Pouco depois, Ronaldo é incluído na lista. Ufa. Brincadeira de mau gosto. Deve ter sido para criar um climinha.
“Bem amigos da rede Globo, voltamos em definitivo...” – coração disparou. É agora!!! Meu palpite: 3 x 2 para o Brasil.
Oxe!!!! Cadê a seleção que não aparece para o aquecimento? A essa altura a luz vermelha piscava freneticamente e a sirene já havia disparado. Vem m... por ai. Seleção entra em campo. Jogadores pálidos e com os olhos arregalados (dá licença eu florear um pouquinho). O juiz apita e a bola rola. O Brasil irreconhecível; um time completamente apático. A sensação era de que os jogadores já entraram em campo derrotados (e quem sabe não foi isso mesmo?). Ronaldo recebe uma falta besta e cai. O time todo, incluindo o goleiro, corre para acudir. Um nervoso, uma agonia danada, o que é isso minha gente?
França faz um gol. Galvão dá um gritinho sem graça “gool, da Françaa”. França faz outro gol. Termina o primeiro tempo. Velório. Silêncio. Mistério.
Agora, além da intuição, a razão apontava para o desfecho trágico. Mas vamos manter o otimismo! Meu palpite ainda é 3 x 2.
Brasil volta para o segundo tempo. Hora da virada. O pessoal deve ter esfriado a cabeça, se acalmado. Eu olhava para os cartazes coloridos que nos tomaram toda uma tarde de trabalho; agora recolhidos num canto. Acho que era vergonha.
O tempo passa e o gol do Brasil não sai. Um choro seco começa a querer se apresentar. Um jogador da França é expulso. Mesmo assim nada de gol do Brasil.
Pouco antes do apito final, o tiro de misericórdia: gol de Petit.
Acabou a tortura. Meu pai: “deixem de besteira. Vocês ficam ai com essas caras e os jogadores não tão nem aí. Tudo com o bolso cheio de dinheiro”. Mas e os nossos cartazes? E as bandeiras? E a festa depois?
Ninha foi a primeira a chorar. Eu fui a primeira a rasgar os cartazes. Primeiro com as mãos e depois com a boca. Naquele momento paramos, nós entreolhamos todos e, juntos, caímos na gargalhada. Crise de riso. Como diz minha mãe, “coisa de jovem”.
Aguardem o próximo post...
5 comentários:
Obrigado, Celinha. Mais um comentário sensacional!!
Se por acaso precisarem de uma água pra ajudar a engolir é só pedir...
Realmente uma palhaçada a Copa de 98!
A França como país-sede não podia deixar de meter a mão na sua primeira taça, se não ia ficar feio...
Lembrando que essa mesma França se classificou para a Copa da África, novamente metendo a mão, dessa vez contra a Irlanda, com uma jogada de queixão do "Thierry Mãory".
Se nenhuma das duas seleções se atrapalharem, Brasil e França podem protagonizar a final ou semi-final da Copa de 2010, e aí velhinho, só Ricardo Teixeira e Joseph Blatter podem decidir...
Se bem que na final eu prefiro um Brasil x Argentina, já que em decisão a Seleção Canarinho "siempre brueca nuestros hermanos" e o único que poderia meter a mão no jogo é Maradona, e dessa vez ele tá no banco...
Nem gosto de lembrar dessa tragédia de 1998. Vou nem falar sobre isso. Bruninho, aqui no teu blog durante esse mês vai rolar só copa do mundo ou nordestão também??? No meu blog, no último post falei sobre teu blog, vê lá.
Abração!
Hahahaha Na final Brasil x Argentina o maior motivo pra torcer por nossa Selecao nao eh nem o patriotismo. Eh o medo de ter que apreciar o corre nu de Maradona!! Ta repreendido!
Cela, sempre dou muita risada com você.
Beijos, Mille
Cela, li seus textos pra Hugo e Zezinho, eles estão se acabando de rir!!!
Vc está se superando, por que nao faz um só pra vc???
Beijoss
Ninha
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