domingo, 8 de agosto de 2010

Vale a pena ser vice de novo


O que seria do futebol não fosse a rivalidade sadia entre os clubes e seus torcedores? Não quero aqui esculhambar o Vitorinha, até porque torci para o rubro-negro do Barradinho na final da Copa do Brasil. Apesar de ser Baêa doente, não acho que isso seja nenhum sacrilégio. É a realidade... A muito tempo o futebol baiano não tem motivos pra comemorar e convenhamos, nós tricolores muito menos. Mas isso não vem ao caso, por enquanto...

Enquanto durou a minha insana sanidade torcendo para o medíocre representante baiano, percebi o quanto é frustrante botar uma fezinha no Vitorinha. O leão da Canabrava entrou em campo na Vila Belmiro abatido por um complexo de inferioridade irritante. Tudo bem que estava em frente ao melhor time brasileiro da atualidade, mas jogar como um pequeno não poderia dar em outra. Tomou logo um pau no primeiro jogo e ficou até barato, pois a molecada do Santos ficou satisfeita com o 2x0, botando o Vitória na roda e brincando de "Só-vale-se-for-golaço". Se Ricardo Silva não fosse tão medroso e conseguisse um golzinho no jogo de ida, até daria uma moral a mais pro time buscar o resultado aqui em Salvador. Mas agora não adianta chorar pelo leite derramado...

No Barralixo, o Vitória fez jus a ótima campanha dentro de casa, e se tivesse essa postura em Santos, talvez o torcedor estaria comemorando o seu primeiro título nacional, título de verdade, porque campeonatozinho baiano arranjado, Copa da Uva e afins não são motivo de orgulho pra torcida nenhuma. Se for por isso, só de baianinho Meu Baêa tem um crédito de mais de 20 títulod na frente do Vice. Dá pra ficar uns 20 anos ainda de boa, não faço questão... O que importa é que o Vitória foi guerreiro em sua casa, diferente do Tricolor de Aço (enferrujado) e se não tivesse tomado aquele gol besta no primeiro tempo, eu poderia nunca mais sacanear nenhum torcedor rubro-negro por torcer pra um time sem título. Vacilou em deixar Edu Dracena subir sem marcação alguma e cabecear pro gol de Viáfara que nada pôde fazer. Aí depois disso foi na base da garra e da loucura correndo atrás de um resultado praticamente impossível num off-road duro de se ver. Por falar em off-road, até achei que o gramado enlamaçado fosse favorecer o time da casa, já que impossibilitaria o refinado toque de bola do time santista. Não foi o caso. Acho inclusive, um desrespeito aos atletas, aos torcedores e aos espectadores da final. Disputar uma partida tão importante num pasto onde a bola não rola e quando não bóia, quica é uma tremenda esculhambação, ainda mais se tratando do país que sediará a próxima Copa do Mundo. (Confira aqui o comentário do jornalista esportivo Juca Kfouri a respeito).

Verdade seja dita: o Santos mereceu ser campeão pelo belíssimo futebol que tem apresentado, sobretudo no primeiro semestre deste ano. Resgatou a nostálgica essência do futebol brasileiro, a muito esquecido e substituído pela brutalidade do estilo carroceiro e defensivo dos são-paulinos da vida, que levantaram a tosca bandeira do "futebol de resultado". Apesar do apelo nojento e vergonhoso da mídia nacional e da arrogância de uma molecada que não tem estrurura emocional para trabalhar o assédio sofrido e o salário ganho, o Santos provou que é possível sim, e muito satisfatório ganhar jogando bonito. Deve-se acima de tudo parabenizar a competência do técnico Dorival Jr., a grande revelação do futebol brasileiro. E nada mais justo do que entregar o prêmio de melhor jogador da Copa do Brasil para o melhor jogador brasileiro, Paulo Henrique Ganso, o Riquelme brasileiro. Ao Vitória, parabéns pela ótima campanha. À torcida rubro-negra que nunca soube perder, o contentamento de mais um vice na sua "gloriosa" história de 110 anos sem nenhum título nacional. A nós tricolores, a breve alegria de sacanear o vitorinha, mas o dever de cobrar vergonha na cara e profissionalismo da diretoria usurpadora do Meu Baêa. Ao menos nisso o Vicetória não fica em segundo.

2 comentários:

Bruno Dias disse...

Princesa, leve na esportiva. A graça do futebol é sacanear o rival e não perder a piada... Afinal o que seria do Bahia se não fosse o Vitória, e vice-versa? No dia em que um acabar o outro fecha as portas tb...
Lembre-se: somos e devemos ser campeões em coisas muito mais importantes.

Marcela Moura França disse...

Relaxe...o Bahia me diverte muito nesse aspecto tb! E, ao que parece, continuará me divertindo por muitos e muitos anos - se acabar antes ( "filhos, antigamente, havia um time chamado Bahia. É verdade, seu pai até torcia pra ele heahuehaue)! Ah! Ser vice não é uma prerrogativa exclusiva do Vitória. O Bahia tb é vice em váaarios campeonatos: basta virar a tabela de cabeça pra baixo!! aheuahuehauheuhauehuaheu

Beijos