Por Marcela França
Vamos supor que a Copa do Mundo seja um campeonato sério e transparente, e que o mérito das seleções, e não de terceiros, quartos ou quintos, determine o resultado dos jogos. Pois bem. Os jogos vão correndo, e as seleções mais “fracas” vão saindo. Aos poucos, um sentimento de superioridade, uma vaidade volátil e volúvel vai se espalhando sobre nós. Somos bons. Essa coisa de desclassificação é para os fracos. Acreditamos que a despeito da lógica, algo sobrenatural conspira para a nossa vitória. Não importa a qualidade das demais seleções. Não importa se o Brasil vencer numa terça-feira – vamos encher a cara e o trabalho no dia seguinte que se dane, pois a irresponsabilidade se justifica por amor a pátria. Heróis, invencíveis, verdadeiramente felizes e realizados. É assim com tudo na vida... A morte não nos alcança, somos imunes as dores da humanidade. A mediocridade da classe media mediana nos anestesia com um conforto lastreado pelo conformismo covarde, e assim seguimos, lentamente, degustamos migalhas de ilusão. Compramos essa ilusão. Pagamos caro por ela. Mas assim como a morte, a vida é implacável. Um dia, a nossa senha aparecera no telão. Não poderemos alegar trata-se de um engano qualquer. Receberemos a nossa encomenda: uma carapuça feita sob medida. Sob a luz do dia, os gatos não mais serão pardos e, enfim, veremos que “tudo é vaidade”. O Brasil é desclassificado, perdemos alguém querido, sofremos por amor, caímos do cavalo, e ainda assim na segunda-feira o despertador tocará às 6:30 h.
Romanos 12: 2 "Não vos conformeis como esse mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente..." Romanos
Eclesiastes 1: 14 "Atentei para todas as obras que se fazem debaixo do Sol, e eis que tudo era vaidade e aflição de espírito."
2 comentários:
Realmente a mulher entende das coisas...
Será? A gente tentar entender, mas muitas vezes não conseguimos sequer entender a nós mesmas...
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